Dê uma nova chance a si mesmo.
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“Ter me afastado de algumas pessoas foi uma das coisas mais generosas que fiz para mim mesma.”
— Luara Quaresma.
amanheceu lá fora, vejo por entre as persianas,
mas aqui dentro continua tão escuro.
se o preto não existe, e é somente a ausência da luz, então não existo?
então tudo aqui dentro não existe mais, porque a luz jamais tocou?
nem toca, nem consegue alcançar todos os meus tons negativos retratados sob a escuridão.
eu, em hipótese alguma, serei branco, serei luz, serei paz, serei qualquer coisa que não seja esse ponto negativo no meio de rostos felizes.
a luz jamais me dominará desta forma, pois a escuridão está tão cravada dentro das minhas entranhas, abraçada numa falsa imagem de conforto que abafa meu grito.
e quando sinto frio, não é frio, é apenas a ausência do calor?
porque vejo temperaturas de 40° graus, porém sinto minha garganta seca, minhas mãos gélidas, meu interior vazio sem calor algum
sem sentimento algum
sem luz, sem calor, sem paz.
amanhece lá fora, depois das seis
aqui a noite me dominou das seis às seis.
não tem estrelas por aqui, não amanhece por aqui, o sol nunca me aquece e a luz jamais se mostra.
daqui eu te conto: o que não existe é luz e calor, porque só conheço a escuridão e o frio.
só vejo o que sinto, só sinto o que vejo.
desculpa a depreciativa, minha valorização se remete ao que existe nesse mundinho pequeno e singular dentro da minha cabeça.
aqui tá tão triste, desculpa.
uma tristeza em looping infinito, é melhor você ir embora daqui.
se eu pudesse, eu também ia.
